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domenica 9 maggio 2010

Fracasso de Dilma, frustração de Lula


O mau desempenho de Dilma Roussef neste início de campanha – avaliação do próprio PT, que suspendeu o programa "Fala, Dilma", no site da candidata - repõe o tema da transferência de votos. A popularidade de Lula não está se refletindo nela – e não por omissão do presidente, que lhe tem dedicado tempo quase integral.


Lula tem feito o que pode – e, sobretudo, o que não pode. Já recebeu duas multas do TSE e pode receber outras, pela transgressão contínua à lei eleitoral, ao subir em palanques de sua ex-ministra e até autorizar financiamento de empresas estatais para comícios de centrais sindicais de cunho eleitoral, como o fez no 1º de maio.

O presidente não hesitou em transformar a fala institucional de 1º de maio, em rede de rádio e TV, num comício eletrônico pró-Dilma. Pode ter que responder pela ousadia, pois a oposição já voltou a acioná-lo na Justiça.

Mesmo assim, Dilma não atingiu ainda o patamar eleitoral básico do PT, que é de 33%. Os especialistas em pesquisas costumam dividir o eleitorado brasileiro em três fatias: 33% pertencem ao PT, outros 33% são anti-PT e os 33% restantes oscilam, conforme as qualidades de cada candidato. São esses votos que estão em disputa e que definem a eleição.

Serra é o único a ter amealhado alguns deles. Já ostentou mais de 40% nas pesquisas e mantém uma média de 35% contra 25% da ex-ministra. Mais uma vez, o fantasma da eleição chilena, em que a então presidente Michele Bachelet, com aprovação popular de mais de 80% - superior à de Lula –, não conseguiu fazer o seu sucessor.

O mesmo fenômeno dá-se agora na Colômbia, onde o presidente Uribe, também com aprovação alta, beirando os 80% - semelhante à de Lula -, não está conseguindo, a um mês das eleições, transferi-la a seu candidato, Juan Manuel Santos, ultrapassado pelo seu concorrente Antanas Mockus.

Na história republicana brasileira, há só um caso de transferência de prestígio: de Getúlio Vargas para o marechal Eurico Dutra, em 1945. Dutra havia sido seu ministro da Guerra. Deposto pelos militares, Vargas indicou um deles para sucedê-lo. E conseguiu, graças unicamente a sua popularidade – Dutra era neófito em política – vencer o candidato da ruidosa oposição (UDN), que o derrubara, brigadeiro Eduardo Gomes. Dutra preparou a volta de Getúlio, em 1950, eleito pela primeira vez pelo voto direto.

Não há outro caso. Vargas suicidou-se antes que sua sucessão estivesse posta. Juscelino Kubitschek, que o sucedeu – e integrava seu grupo político -, venceu por conta própria e não fez seu sucessor. Jânio Quadros era da oposição. Renunciou e foi sucedido pelo vice, João Goulart, que foi deposto.

Após a longa linhagem de generais-presidentes do regime militar, o primeiro civil a enfrentar uma sucessão pelo voto direto, José Sarney, foi sucedido por um opositor, Fernando Collor.

Deposto, foi sucedido por Itamar Franco, que viu seu sucessor ser eleito na esteira de um bem-sucedido plano econômico. Foi o Plano Real e não Itamar quem elegeu Fernando Henrique, que não conseguiu emplacar seu sucessor. José Serra foi derrotado por Lula.

Indiferente a essa escrita, Lula tenta dar caráter plebiscitário à disputa: quer que Dilma e Lula expressem duas eras políticas: a Era FHC (Serra) e a Era Lula (Dilma). Para Dilma, é a única saída; para Serra, muito pelo contrário. Enquanto a candidata do PT se esforça para ser vista como uma extensão de Lula, Serra faz o oposto: quer (e está conseguindo) mostrar que tem vôo próprio.

Lula não desistiu de provar que pode mais (slogan da campanha adversária). Já fez circular, por meio de assessores e parlamentares aliados, que, em agosto, quando começa a campanha no rádio e na TV, vai se licenciar do governo para dedicar-se em tempo integral à campanha de Dilma.

Essa teria sido a razão efetiva para que José Alencar desistisse de se candidatar ao governo em Minas. Lula só confia nele para a eventualidade de se afastar temporariamente. Com esse respaldo, vai conferir se sua popularidade é transmissível.

Até aqui, não foi, mas o presidente considera que esta etapa da campanha é uma espécie de aquecimento, em que estão envolvidos e interessados apenas os profissionais do ramo: políticos e jornalistas. O público mesmo só se mobilizará na reta final. Pode ser.

venerdì 7 maggio 2010

Mais uma herança maldita de Lula para Serra


ERENICE VAI À GUERRA ELEITOREIRA



Por Reinaldo Azevedo

O anúncio feito ontem pela ministra Erenice vai à Guerra (!), da Casa Civil, do PNBL (Plano Nacional de Bandalheira Larga) revela o governo Lula no seu estado de arte. Tratou-se de mera campanha eleitoral. E das mais vulgares. Faz sentido. A experiência máxima de Erenice, até agora, nos altos assuntos da República foi revelada por seu envolvimento com aquele dossiê fajuto contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, Ruth Cardoso, uma das pessoas mais dignas que já pisaram em Brasília. Com a mesma ética com que se fabrica uma coisa, pode-se fabricar outra.

Erenice vai à guerra eleitoral. Até agora, não há plano nenhum nem se conhece o decreto de reativação da Telebras. A única coisa que o governo conseguiu ontem foi dar seqüência ao plano de valorização do papelório da Telebras — uma das fases dessa curiosa engenharia contou com a assessoria do sempre solerte José Dirceu, apontado pelo Procurador Geral da República como “chefe da quadrilha” do mensalão.

A rede de fibras óticas pertence à Eletronet, empresa falida de que a Eletrobras é acionista. O controle da estatal sobre essa rede é garantido por uma liminar, que pode ser derrubada na Justiça. O governo federal anuncia um plano mirabolante, com R$ 13 bilhões de investimentos — R$ 3,5 do Tesouro e R$ 7,5 do BNDES —, tendo, na prática, como garantia, uma liminar. E certamente semeando outras. Por quê?

O fantástico avanço que houve da telefonia e do serviço de transmissão de dados no Brasil está ancorado em lei: a Lei Geral de Telecomunicações e a Lei de Licitações. No anúncio e dos discursos, fica claro que o governo pretende que a estatal concorra com as operadoras privadas. É? Participou de leilões? Recebeu concessões? Está subordinada às regras que valem, então, para as suas concorrentes?

Por enquanto, no que tem de firula, o Plano Nacional de Bandalheira Larga só vai servir à campanha eleitoral; no que pode ter de sério, vai compor parte da herança maldita de Lula.

martedì 4 maggio 2010

Dilma Teleprompter